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Derrocada, fuga e exlio: Richard Ford comenta romance lanado no Brasil

Comparado a Updike e Hemingway, escritor faz de Canad um livro sobre a dissoluo de uma disfuncional famlia americana

 

 

RIO - Críticos garantem que é possível enxergar semelhanças entre o protagonista de “Canadá” (editora Estação Liberdade), lançado no Brasil no fim de julho, e o autor Richard Ford. Assim como Dell Parsons, o escritor teve uma vida itinerante. Na juventude, também precisou aprender a lidar com a ausência do pai, que perdeu quando tinha oito anos. Quando adulto, tornou-se professor, justamente como o tipo que narra o seu sétimo livro. Apesar das pequenas evidências, o vencedor do Pulitzer de 1995 nega que tenha aderido à autoficção. Pelo contrário:

 

— Eu escrevo ficção. Meu pai morreu, os pais de Dell vão para a prisão. Eu não acho que seja uma obra com traços autobiográficos. É claro que você pode encontrar similaridades entre a minha vida e o livro, mas certamente elas são efêmeras e desinteressantes — assegura o autor de 71 anos.

 

Ford começou a escrever “Canadá” há mais de 20 anos. Deixou a obra de lado até 2013, quando a publicou nos EUA. Na abertura do livro, oferece o máximo de seu estilo, que consagrou em obras como “Independência” (Record) e “O cronista esportivo” (Best Seller): “Para começar, vou contar o assalto que meus pais cometeram. Em seguida, os assassinatos que aconteceram mais tarde”.

 

— É um bom jeito de começar um romance. Pensei que, se eu contasse esses eventos logo no começo do livro, criaria uma espécie de suspense e tensão entre os leitores. Tenho que deixá-los com vontade de ler o livro até o fim.

 

NOVA OBRA CHEGA AO BRASIL EM 2016

 

A partir daí, linha por linha, o autor constrói a narrativa sobre história de uma família desajustada dos anos 1960. O conturbado núcleo é composto por um piloto da Força Aérea Americana, uma professora frustrada com aspirações intelectuais e um casal de gêmeos de 16 anos. Na trama, o sulista Bev Parsons, pai do protagonista, envolve-se em pequenas tramoias após deixar a vida militar. Vende carne contrabandeada e se envolve com os perigosos índios de Great Falls, cidade em Montana onde a família vai viver após a aposentadoria do patriarca. Bev passa a dever dinheiro às pessoas erradas e, então, arquiteta uma saída drástica para honrar seus débitos: roubar um banco. O plano, claro, não dá certo, e a fuga começa.

 

A certa altura, tanto ele quanto Neeva Kamper, sua mulher, terminam presos pela polícia. Na trama, o Canadá, onde Dell vai viver ilegalmente, aparece como uma espécie de porto seguro, lugar distante dos problemas americanos. Ford explica que, no lado Norte da fronteira, o protagonista espera esquecer do passado.

 

— Na verdade, o país é um lugar de refúgio. E, assim como todos os lugares de refúgio, o Canadá é muito complexo para ele. Não diria que é idealizado, mas o Canadá é um lugar bem diferente dos EUA. Sobretudo para Dell — explica.

 

No fim do quinto capítulo, Ford recorre a um poema de William Butler Yeats: “Nada pode ser único ou inteiro, sem antes ter sido dilacerado”. Os versos do poeta irlandês, de certa maneira, sintetizam o romance. Ao contrário do que a amena capa sugere, “Canadá” é um livro cortante, que gravita em torno da dissolução dos Parsons por conta dos erros cometidos por Bev e Neeva, casal unido artificialmente que, ao longo dos anos, perde o resto de afeto entre um e o outro.

 

Comparado a nomes como John Updike e Ernest Hemingway nos EUA, o autor é pouco celebrado no Brasil. Tanto que “Canadá” levou dois anos para ser publicado por uma editora daqui. Seu mais recente romance, “Let me be frank with you”, levará menos tempo: deve sair em 2016 pela Estação Liberdade.

 

O livro — que recupera o personagem Frank Bascombe, protagonista de metade dos oito romances de Ford — rendeu nova indicação ao Pulitzer de ficção (prêmio que o autor já havia vencido com “Independência”, há 20 anos). Desta vez, porém, o ganhador foi Anthony Doerr, com “Toda luz que não podemos ver”. Bascombe foi aposentado após “O sal da Terra” (Record), de 2006. Ford trouxe o personagem de volta atendendo aos pedidos que os leitores fizeram durante a turnê de divulgação de “Canadá”. Sobre a possibilidade de escrever mais uma obra sobre o universo do personagem, ele despista.

— Enquanto eu estiver vivo, isso é possível — finaliza.

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