Mídias Sociais
Facebook
Twitter
Instagram
Pinterest
Youtube

150 anos de Natsume Soseki!

No próximo dia 9 de fevereiro, completam-se 150 anos do nascimento de Natsume Soseki! Para celebrar a vida e a obra de um dos autores japoneses mais lidos no mundo, todos os livros de Soseki editadas pelo Estação Liberdade estarão à venda em nosso site com 40% de desconto até o dia 12/2 (domingo). Aproveite!

Clique aqui para ver todos os títulos disponíveis.

Leia abaixo nosso especial sobre o autor:  

150 anos de Natsume Soseki!

 

 O HOMEM DE MEIJI

Natsume Soseki (1867–1916, nascido Natsume Kinnosuke*) é um dos escritores japoneses mais queridos em sua terra natal e também o mais traduzido e estudado no mundo. Isto porque Soseki foi principal artista de sua geração, considerado o mais representativo intelectual de seu tempo. Para traçar paralelos, a importância da contribuição artística de Soseki para seu país é comparada à de Machado de Assis para o Brasil, de Mark Twain para os EUA, e de Charles Dickens para o Reino Unido.

Sua vida praticamente coincidiu com a Era Meiji (1868–1912).  O período teve início com o fim do xogunato Tokugawa e a restauração do poder do Imperador. Foi aí que Edo, onde Soseki nasceu, se tornou oficialmente a capital japonesa e passou a se chamar Tóquio. Mas, principalmente, foi na Era Meiji que o Japão deu início a seu processo de modernização (nos moldes ocidentais), abrindo seus portos para o mundo e vendo a chegada dos telefones, trens, beisebol, arquitetura ocidental e milk-shakes.

 *Natsume é o nome da família. O pseudônimo Soseki, adotado na Universidade, é uma corruptela do chinês significando “estorvo”, “incômodo”.

 

Retrato de Natsume Soseki em Kumamoto
Retrato de Soseki em Kumamoto 

 

FAMÍLIA, ESCOLA, UNIVERSIDADE, TRABALHO, FAMÍLIA

Recém-nascido, Soseki foi entregue para ser criado por outra família. Foi trazido de volta pela irmã mais velha, mas, pouco depois, dado em adoção. Mesmo em seu retorno, já com 9 anos, não foi acolhido: foi ensinado a chamar os pais de avós. Nunca teve muita intimidade com o pai, e sua mãe, de quem era mais próximo, faleceu quando ele tinha 14 anos.

Na escola, apresentou-se a Soseki a escolha entre um currículo mais tradicional, focado em chinês clássico, e um mais progressista, que incluía o estudo do inglês. Por seu interesse precoce pela escrita, escolheu o primeiro. Depois, no entanto, foi persuadido a mudar para o estudo do inglês, para que pudesse contribuir com a nova sociedade. Desta forma, ele conseguiu, ao terminar o ensino médio, ingressar na Universidade Imperial de Tóquio.

Soseki foi o segundo estudante a se graduar em língua inglesa na instituição, e se destacava por possuir um domínio inigualável da disciplina. Em 1893, após se formar, ganhou uma posição como professor na Escola Superior Normal de Tóquio. No entanto, abdicou do prestigioso cargo acadêmico e saiu da capital: primeiro foi para a ilha de Shikoku e, depois, mais a Oeste ainda, para Kumamoto, onde foi professor do Ensino Médio. Foi em Kumamoto que Soseki se casou com Kyoko Nakane, filha de um alto oficial do governo. Suas experiências nessas cidades serviriam de inspiração para Botchan (1906).

 

Kyoko Nakane, Fudeko Natsume e Soseki Natsume
À esquerda, Kyoko Nakane e a filha mais velha do casal, Fudeko. À direita, Soseki na casa de Shinjuku, Tóquio, onde passou seus últimos anos de vida 

 

O ESCRITOR

Soseki já havia escrito haicai e kanshi em seu período na Universidade, em parte inspirado pelo poeta Shiki Masaoka (1867–1902), seu colega. Em Kumamoto, Soseki deu continuidade à produção de poesia, tornando-se reconhecido e reunindo seguidores. Também escreveu e publicou diversos artigos sobre literatura.

Aos 33 anos, casado, com filhos e já considerando abandonar a carreira acadêmica, Soseki foi enviado pelo governo japonês para estudar por 2 anos em Londres. Por conta de burocracias das instituições inglesas e pela baixa bolsa que recebia, o período foi de crise. Soseki se viu sem dinheiro, sem amigos e longe da família, deixando de comprar comida para poder comprar livros. Ele se aprofundou nos estudos, trancado com seu material de pesquisa, tentando desenvolver um método científico para o estudo da literatura. Amigos e família temiam por sua saúde mental.

Ele voltou ao Japão em 1903 para terminar seu monumental estudo literário, Teoria da literatura (Bungakuron, 1906). Em Tóquio, ele assumiu um cargo como professor na Primeira Escola Superior e também passou a palestrar na Universidade Imperial. Os compromissos profissionais e a constante falta de dinheiro e tempo tornaram esse período exaustivo para Soseki. Mesmo assim, foi nesses anos que ele escreveu Eu sou um gato (1905), seu primeiro romance. A enorme popularidade do livro e a vontade de Soseki de viver como escritor culminaram em sua saída da Universidade Imperial para integrar a redação do Asahi Shimbun, o maior jornal diário do país. Na época, ser jornalista não era visto pela sociedade com muita estima. O abandono da prestigiosa posição foi, em suma, chocante.

 

Edições de
Edições de Eu sou um gato pelo mundo. A maioria foi publicada depois do ano 2000 

 

LEGADO

Entre Eu sou um gato, em 1905, e sua morte, em 1916, Soseki escreveu mais de dez romances, além de centenas de ensaios, poemas, contos e textos jornalísticos. Tomando o conjunto de seus trabalhos, fica notório o domínio de Soseki sobre a arte da escrita, passeando por diversos gêneros, empreendendo experimentações estilísticas e estruturais diversas, tornando-se um pioneiro do modernismo em seu país. Ele era uma figura ativa na cena artística, oferecendo generoso apoio aos escritores mais jovens que, em retorno, o admiravam e estimulavam. Às quintas-feiras, dia dedicado a seus discípulos, sua casa virava um grande salão literário.

É na chamada “primeira trilogia” (composta por Sanshiro [1908]E depois [1909] e O portal [1910]) que Soseki encontra sua maturidade como romancista, identificando os temas que queria tratar e os personagens que iriam ser usados para comunicá-los. Ele seguiu explorando estes temas: amor, morte, autoconhecimento e sociedade (o que mais um romancista pode tratar?), embora de uma perspectiva cada vez mais sombria. Sua popularidade cresceu mais e mais e ele continuou produzindo em ritmo acelerado, mesmo sofrendo crises por conta da deterioração de sua saúde.

Sua morte se deu em 1916, por problemas decorrentes de uma úlcera da qual já sofria havia anos. Soseki foi um artista completo, se debatendo com as questões perenes da humanidade, cujas respostas não podem ser resumidas só aos valores éticos e nem só às preocupações sociais e históricas.

O interesse no autor foi renovado mundialmente nos últimos 20 anos, marcados pela chegada de novas traduções de suas obras nos mais diversos países. Para qualquer um que deseje entender o desenvolvimento moderno da cultura e da sociedade no Japão, ao mesmo tempo em que entra em contato com a genialidade criativa de um grande mestre, Soseki será ainda por muito tempo um interlocutor essencial.

 

 

notas de yen com Natsume Soseki

Nota de mil ienes: Entre 1984 e 2007, Soseki figurou nas notas japonesas de ¥1.000, o que demonstra seu prestígio e sua presença no cotidiano do povo japonês.

 

Meiji-mura

A casa do gato: Na região de Nagoya, o Museu Meiji-mura reúne construções importantes do período Meiji em um grande espaço ao ar livre. A casa onde Soseki escreveu Eu sou um gato foi reconstruída no Museu e fica aberta aos visitantes.

 

História viva: Natsume Soseki

História viva: Tudo que se relaciona à vida e à obra de Soseki – desde as casas em que o autor morou até o trem e os bolinhos citados em Botchan – se tornaram patrimônio histórico. Na imagem: o “vapor do Botchan”, botchan dango (bolinhos de arroz), o interior da casa de Soseki em Kumamoto e placa comemorativa marcando o lugar onde ele morou em Londres.

  

Robô Natsume Soseki

Robô Soseki: Para celebrar os 100 anos da morte de Soseki (2016) e 150 de seu nascimento (2017) um time de especialistas japoneses empreendeu uma reconstrução robótica do escritor. O androide inteligente foi apresentado no fim do ano passado e está em finalização: espera-se que ele possa, em breve, dar palestras e discutir literatura com estudantes. Na imagem, o robô Soseki está entre Fusanosuke Natsume (neto de Soseki, à esquerda) e Hiroshi Ishiguro, seu criador.

 

Memorial Natsume Soseki, Tóquio

Memorial em Tóquio: No local da última casa onde Soseki viveu, no bairro de Shinjuku, em Tóquio, está em construção um memorial em sua homenagem. O local incluirá uma reprodução da casa, destruída em 1945, e deverá reunir todos os pertences do autor. A data de abertura prevista é setembro de 2017.

***

Para celebrar os 150 anos do nascimento de um dos autores japoneses mais lidos no mundo, todas as obras de Natsume Soseki editadas pela Estação Liberdade estarão à venda em nosso site com 40% de desconto!

Clique aqui para ver todos os títulos disponíveis.

 

Facebook


Rua Dona Elisa, 116 | 01155-030 | Barra Funda | São Paulo - SP
Tel.: (11) 3660-3180
© Copyright 2017 | Estação Liberdade ® Todos os Direitos Garantidos | Desenvolvido por Convert Publicidade