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No Ms das Mulheres, uma reflexo sobre a participao delas na literatura

A pesquisadora e escritora Regina Dalcastagnè publicou em 2012 o livro Literatura brasileira contemporânea — um território contestado (Editora Horizonte/Editora UERJ). Nele, apresentou dados de uma pesquisa que traçou o perfil dos escritores e dos personagens da literatura brasileira contemporânea. A pesquisa revelou que, entre os anos de 1990 e 2004, de romances publicados pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco, a maioria (72,7%) dos autores são homens.

Apesar de não representar a totalidade do mercado editorial e já terem se passado mais de dez anos desde a divulgação da pesquisa, esses números dão uma boa dimensão sobre uma realidade ainda muito presente: publicam-se poucas escritoras mulheres no Brasil. Isso não se deve, no entanto, a algum tipo de “conchavo” do mercado editorial contra elas, mas, sim, é reflexo da realidade de uma sociedade sexista, na qual produção intelectual das mulheres ainda é tratada como de menor valor, de segunda categoria. Um exemplo disso é que o próprio subgênero “literatura feminina” caracteriza uma falsa simetria, já que não existe uma “literatura masculina”.

Andréa Catrópa, escritora e crítica literária, publicou recentemente, no blog Teoria e debate, o artigo Mulheres e o cânone literário, no qual joga uma luz sobre a questão: “Sabemos que, por muito tempo, o impacto de pressões socioculturais para as mulheres se dedicarem apenas à família e à casa fez com que sua produção literária fosse numericamente inferior à dos homens. No entanto, isso pode ter contribuído para gerar um ambiente que naturaliza o privilégio de um padrão de qualidade relacionado com a produção textual masculina.” 

 

Capa da primeira edição de "O despertar", de Kate Chopin 

Nós, da Estação Liberdade, reconhecemos e fazemos a autocrítica — de forma semelhante à realidade geral do mercado, temos, proporcionalmente, poucas autoras mulheres em nosso catálogo. Nos últimos anos, porém, há um movimento no sentido de mudar isso. Em termos de literatura japonesa contemporânea, as mulheres estão na dianteira: temos como destaques as romancistas Banana Yashimoto, Hiromi Kawakami, Yoko Ogawa e, em breve, Sayaka Murata. Encontra-se em tradução, atualmente, o romance The House of Mirth, da norte-americana Edith Wharton, primeira escritora a figurar na nossa coleção de clássicos da literatura mundial. Lembramos também que uma das primeiras obras publicadas pela atual gestão da Editora foi O despertar, de Kate Chopin, romance que quebrou barreiras ao abordar a submissão das mulheres nos Estados Unidos, e ainda no Sul conservador e escravagista, isso lá pelos idos de 1899.

Durante o mês de março, em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres, a Estação Liberdade colocou no ar uma promoção em sua loja virtual: todos os títulos escritos ou organizados por mulheres são ofertados por 50% do preço de catálogo. Não acreditamos, com isso, estarmos subestimando o valor delas, mas, sim, estarmos promovendo a difusão de sua produção, a aproximação de nossas autoras com os leitores, através do atrativo do desconto.

Às nossas leitoras, fica o pedido: escrevam! Divulguem seus textos, publiquem sua produção em blogs, páginas pessoais, sites de autopublicação, enviem seus originais para as editoras. Essa realidade pode — e deve — ser diferente.

 

Letícia Howes, supervisora editorial na Estação Liberdade

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