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Estao Liberdade na Bienal do Rio 2017

Estação Liberdade na Bienal do Rio 2017

 

A Estação Liberdade estará presente na XVIII Bienal Internacional do Livro do Rio! Convidamos todos os autores, amigos, leitores e colaboradores a visitarem nosso estande.  No sábado, 2/9, a partir das 16h, acontecerá o evento de lançamento de Não adianta morrer, romance de Francisco Maciel. Leia mais sobre o livro abaixo.

Nós estaremos no Pavilhão 3 (Azul), no estande J-24. Venha conversar com a gente e saber dos nossos projetos e próximos lançamentos!

 

Não adianta morrer, romance de Francisco Maciel

Não adianta morrer é o segundo romance de Francisco Maciel publicado pela Estação Liberdade, depois de O primeiro dia do ano da peste, de 2001. O universo do livro é ancorado nas ruas do bairro do Estácio, no centro do Rio de Janeiro. Maia de Lacerda, Professor Quintino do Vale, Sampaio Ferraz, Haddock Lobo, Professor Higino — enveredando pelos botecos, pelas bocadas, pelos atalhos dos morros e pela multiplicidade de vozes de seus personagens, o Rio marginal e erudito de Maciel ganha vida e o leitor é mergulhado no coração da “cidade das balas perdidas, no país das oportunidades perdidas, no planeta das guerras pela paz”. Uma narrativa delirante e poderosa, cheia de referências intertextuais e de personagens marcantes.

Leia o trecho de abertura do livro abaixo:  

 

Dafé está correndo pela Maia de Lacerda às duas e quinze da tarde, e vai morrer às duas e vinte e dois. Alto, olhos verdes, funkeiro pixaim louro oxigenado, ele podia ter sido o que quisesse na vida. Jogador de futebol. Segurança. Gigolô. Astro. Sempre sonhou brilhar, era diferente, estava em outra. Mas escolheu a parada errada. Agora está correndo pela Maia. Ilusão.

Ele pensa que está voando, mas não está. Passou os dois últimos dias trepando e cafungando. Dormiu pouco, comeu mal, bebeu demais. Está correndo pelo lado esquerdo da rua, pela calçada, os carros estacionados, as árvores, os postes. Ele quer alcançar a São Roberto. Acha que lá estará a salvo. É lá que mora a mulher que ele está comendo e ele diz que não quer nada com ela, mas é para lá que está correndo e nessas horas isso não ajuda nada, até atrapalha. Mas é para lá que ele quer ir. A casa da Mirtes, sua mãe, era um abrigo mais seguro, mas ele nem pensa nela.

Se pulasse o muro do Centro Espírita Bezerra de Menezes, podia ganhar algum tempo, pular o muro de trás, alcançar a São Carlos e descer pela escadaria até a São Roberto. Mas ele segue em frente.

Aqui só tem cavalo de três patas. Quem diz isso é o Guile Xangô, e o Guile Xangô é um cara legal, meio maluco e meio safo, tem emprego, endereço e carteira de identidade. Aqui é tudo coisa, indigente, todo mundo aqui saiu da cadeia. E isso é verdade: o difícil é encontrar alguém aqui que não pegou janela. Vivem escondendo o tempo de cadeia. Mas quando dão uns tecos e bebem ficam contando as glórias. Saíram de lá e não conseguiram nada. Emprego, respeito, dignidade. Ficam pelos pés-sujos enchendo a cara, filando branco e preto, sugando fiapos de vida besta entre os dentes. E arrotando que na cadeia tinham regalia. Por que não ficaram lá? Aqui fora eles não têm nem regalia nem respeito, e a galera só dá desprezo. Estão acabados. Saíram da janela e deram de cara no muro. Não existem. Não fazem nem sombra de tanto que não existem. Tudo cavalo de três patas, diz o Guile Xangô, e você sabe o que acontece  com um cavalo de três patas? Você sacrifica, mata.

 Capa de "Não adianta morrer"

Sobre o autor

 Francisco Maciel

FRANCISCO MACIEL nasceu em São Gonçalo, Rio de Janeiro, em 1950. Começou a frequentar a escola aos seis anos de idade, para escapar dos trabalhos braçais que já fazia. Através de concurso, conseguiu ingressar num colégio de elite de Niterói no segundo grau. Na faculdade, começou a cursar jornalismo, mas desistiu no meio do caminho por se sentir “tolo demais e despreparado para a vida”. Pegou a mochila e rodou de carona pelo Brasil e outros lugares da América do Sul. Foi escritor precoce: desde os dez anos, escreve de forma obcecada e diligente.

Em 1997, venceu o Prêmio Julia Mann de Literatura, promovido pelo Goethe-Institut, com o conto “Entre dois mundos”, cujo título batizou a coletânea com os textos vencedores publicada em 2001 pela Estação Liberdade – que também editou o primeiro romance dele, O primeiro dia do ano da peste, no mesmo ano. Em 1998, teve um texto seu, Morto de paixão na Avenida Brasil, levado ao teatro por Domingos de Oliveira. Também ganhou a edição de 2012 do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria Ficção, com uma versão de Não adianta morrer. Casado, Maciel vive hoje em São Gonçalo, para onde voltou após o “exílio” no Estácio.

 

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