O CASTELO DE YODO 


Ora vítima de clausura na mais abjeta miséria, ora tornada senhora de palácios, vivendo romances reais e imaginários com os mais belos e corajosos senhores do Japão, Chacha, a heroína e senhora de O Castelo de Yodo, sempre se manteve fiel a si mesma — a prova viva de que a palavra “samurai” não tem gênero. O soldado de retidão moral e lealdade inquebrantável talvez tenha sido a única constante no Japão do violento século XVI, palco de intrigas cruéis, rejeição da fé católica e consolidação do modelo militar feudal, que dariam ao país sua identidade política pelos trezentos anos seguintes. Essa sucessão a um tempo detalhista e grandiosa de panoramas de incêndios magníficos, banquetes abundantes, batalhas terríveis e castelos imponentes custou seis anos a Yasushi Inoue, cuja arte é semelhante à do pintor de telas de grandes dimensões, desenhando cenas com centenas ou milhares de figurantes sem perder a atenção ao detalhe, ao ângulo do luar, ao som da barra de um quimono que desliza lentamente pelo chão.

O ritmo deliberado da narrativa usa a modulação da música clássica japonesa e do teatro nô, obtendo grandes efeitos dramáticos em uma obra de um realismo severo. A psicologia das personagens, imaginada com rigor quase matemático, tem a força de camadas tectônicas que se movem vagarosamente, provocando grande destruição ao entrarem em atrito.

LEIA UM TRECHO DA OBRA 


          


YASUSHI INOUE

Yasushi Inoue nasceu em 1907 em Asahikawa, no norte da ilha de Hokkaido, Japão. Foi poeta, contista, novelista e ensaísta. Depois de malograda sua tentativa de cursar medicina, ingressa na Universidade Imperial de Kyoto, formando-se em estética e filosofia. Antes de estrear na carreira literária, escreve poemas e treina judô obsessivamente. Era ainda uma promessa da fecunda literatura japonesa Pós-Segunda Guerra Mundial quando publica seu primeiro romance aos 42 anos, O Fuzil de Caça (1949), lançada pela Editora Estação Liberdade em 2010. Recebe, em 1950, o prestigioso Prêmio Akutagawa de literatura, pela obra Togyu. Entre livros de contos e romances, publicou ainda Futo (1963), Wagahaha no ki (1975) e Honkakubou Ibun (1981). Faleceu em 1991, em Tóquio.


Livro
Tradutor Andrei Cunha
Formato 16x23cm
Páginas 312
ISBN 978-85-7448-212-5

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