Não se deixe enganar. Não adianta morrer não é um livro de autoajuda ou um manual de sobrevivência, cabala, dicionário de símbolos. Ele não pretende explicar a existência, propor a solução para mistérios arcanos, decifrar enigmas místicos, facilitar o entendimento da máquina do mundo, fazer uma ponte entre o divino e o humano. No mínimo, ele é uma narrativa no fio da navalha entre verdade e ficção.

Tentando ser simples, gráfico, básico: Não adianta morrer é um tabuleiro de damas (e cavalheiros): Pedrão, Vovô do Crime, Guile Xangô, Vavau, Beleco, Pardal Wenchell, Lana, Olívia, Mirtes, Dafé, Marcelo Cachaça, as Comadres, os Quatro Mandelas, o Comando Vira-lata, e outras peças da pesada, espíritos de porco, atores atormentados.

Ainda no universo do jogo, também pode ser uma mesa de carteado debaixo de uma marquise num dia de domingo, as famílias passando para a missa, um bonde voltando do baile, as motos chispam, os táxis estão parados, cachorros, gatos, pombos, um bem-te-vi na árvore do outro lado da rua. Os naipes podem ser os tradicionais — espadas, copas, ouros e paus —, mas as figuras serão necessariamente novas: o Assassino, o Taxista, a Traição, o Canalha, o Soldado, o General, a Vida, a Morte, o Sonho, a Palavra.

Esta é a versão definitiva de um livro que sequestrou seu autor por mais de dez anos, a ponto de transformá-lo em um conversador monotemático, um “cavalo” montado por personagens que exigiam atenção e oferendas a todo instante, noite e dia. Maciel recebeu por Não adianta morrer o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, edição 2012, na categoria Ficção.

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Livro
Formato 21x14x1,5cm
ISBN 978-85-744-8245-3
Páginas 288
Sobre o autor (a) FRANCISCO MACIEL nasceu em São Gonçalo, Rio de Janeiro, em 1950, filho de uma empregada doméstica e um comerciante. Começou a frequentar a escola aos seis anos de idade, para escapar dos trabalhos braçais que já fazia. Através de concurso, conseguiu ingressar num colégio de elite de Niterói no segundo grau. Na faculdade, começou a cursar jornalismo, mas desistiu no meio do caminho por se sentir “tolo demais e despreparado para a vida”. Pegou a mochila e rodou de carona pelo Brasil e outros lugares da América do Sul. Foi escritor precoce: desde os dez anos, escreve de forma obcecada e diligente. Em 1997, venceu o Prêmio Julia Mann de Literatura, promovido pelo Goethe Institut, e cujo conto “Entre dois mundos” batizou a coletânea com todos os textos vencedores publicada em 2001 pela Estação Liberdade – que também editou o primeiro romance dele, O primeiro dia do ano da peste, no mesmo ano. Em 1998, teve um texto seu, Morto de paixão na Avenida Brasil, levado ao teatro por Domingos de Oliveira. Casado, Maciel vive hoje em São Gonçalo, para onde voltou após o “exílio” no Estácio.

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