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Brand: Hugo, Victor
Product Code: 978-85-7448-233-0
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O HOMEM QUE RI


Da vasta produção literária de Victor Hugo, são muitas as obras que perduraram para sempre como clássicos mundiais, como é o caso deste O Homem que Ri, romance de 1869, há muito aguardado por leitores brasileiros. 

Nome luminoso do romantismo francês, Victor Hugo evidencia na obra os paradoxos que conferem a seus personagens sua mais verossímil humanidade: a violência e a ternura, o horror e o sublime, a humilhação e a dignidade, em meio ao tradicional cenário social que opõe a aristocracia opressora e a plebe oprimida, só que desta vez ambientado na Inglaterra dos séculos XVII e XVIII.   

O “Homem que Ri” é como passará a ser chamado o personagem Gwynplaine. Por ser filho de um inimigo político do rei, ele fora entregue ainda pequeno aos comprachicos, uma trupe de facínoras que faziam do crime uma indústria, ao deformar crianças para explorá-las em atrações de bizarrices. Abandonado depois pelos próprios comprachicos, Gwynplaine se vê vagando sozinho pelo mundo até deparar-se com Dea, uma criança órfã e cega.

Ambos, Gwynplaine e Dea, são acolhidos pelo velho Ursus, um artista saltimbanco, de coração generoso. Os três se tornam uma espécie de família, e passam a ganhar a vida apresentando-se em espetáculos populares. Nessa cruzada, eles enfrentam uma série de dramas e provações, incluindo aí o amor que Gwynplaine, ao longo do tempo, começa a nutrir por Dea. Quando se descobre que aquela verdadeira aberração humana é, na verdade, um lorde, novas consequências folhetinescas se sucedem, fazendo movimentar a engrenagem dos jogos de interesse que envolvem a aristocracia britânica. 

A princípio, o livro fora concebido por Victor Hugo para ser o primeiro volume de uma trilogia que seria completada por A monarquia, que não chegou a ser escrito, e por Noventa e três — referência a 1793, ano marcante da Revolução Francesa —, novela publicada em 1874. Pela força dramática da história e por seus personagens marcantes, O Homem que Ri também já inspirou diversas adaptações cinematográficas, sendo a primeira de 1928, em filme dirigido pelo alemão Paul Leni. A mais recente é de 2012, dirigida por Jean-Pierre Améris, com Gérard Depardieu dando vida a Ursus.

Por muito tempo, O Homem que Ri se manteve como um livro esquecido, à margem na produção de Victor Hugo. Até por sua singeleza: egresso do romantismo, o autor mostra aqui marcas um tanto destoantes, sobretudo a ironia e o sarcasmo velados: os chistes, por exemplo, nem sempre são percebidos de imediato. Quando redescoberto, o livro logo passou a fascinar gerações de leitores.

Pierre Albouy, que assina a introdução à obra, define o romance como “o drama da alma”, e observa até um flerte com o surrealismo: “Sua própria coerência o recomenda: coerência em todos os níveis entre a temática, a estrutura, a ideologia e a escrita. Apesar de bizarro, sua autenticidade também o recomenda: quer se trate da dança assustadora do enforcado coberto de alcatrão e entregue aos ventos, quer se trate da própria imagem do Homem que Ri, nele a imaginação está munida da mais robusta evidência onírica.”   

LEIA UM TRECHO     

 


                                                                                                 


VICTOR HUGO

Victor Marie Hugo nasceu em 26 de fevereiro de 1802, em Besançon, França. Foi educado por vários tutores e estudou em escolas privadas. Tornou-se escritor aos 15 anos, e logo assumiu um lugar excepcional na história da literatura ocidental, dominando todo o século XIX graças a sua fecunda genialidade e à diversidade de sua produção. Escreveu desde poesia lírica, satírica e épica até romances e dramaturgia em prosa e em versos. Chegou a ser considerado poeta oficial da nação francesa. Em 1827 redigiu o famoso prefácio de Cromwell, tido como o manifesto do movimento romântico na França. Tornou-se membro da Academia Francesa em 1841. Suas obras mais famosas são os romances Notre-Dame de Paris (1831), publicado pela editora Estação Liberdade, e Os miseráveis (1862). Também foram publicados pela editora O último dia de um condenado (1829) e O Homem que ri (1868). No final da carreira, passou um longo período no exílio, por oposição ao império de Napoleão III. Teve longa militância contra a pena de morte. Faleceu em 22 de maio de 1885, em Paris, e está enterrado no Panthéon.